Relatório baseado em mensagens apreendidas no caso Banco Master registra pedido para que candidato desistisse da disputa pelo comando do Conselho Nacional dos Procuradores-Gerais.
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| Paulo Gonet, procurador-geral da República. Foto: divulgação/STF. |
Um relatório da Polícia Federal colocou o procurador-geral da República, Paulo Gonet, no centro de uma nova controvérsia envolvendo a disputa pelo comando do Conselho Nacional dos Procuradores-Gerais (CNPG). Mensagens recuperadas durante a investigação do Banco Master indicam que Gonet teria sido procurado para atuar nos bastidores da eleição de 2024.
Segundo o material analisado pela PF, o advogado Ciro Soares teria pedido a Gonet que um candidato abandonasse a disputa para favorecer Jarbas Soares Júnior.
O episódio chama atenção porque a eleição envolvia a representação dos procuradores-gerais dos Ministérios Públicos estaduais e de outras instituições do sistema de Justiça.
O que a PF encontrou
• Mensagens atribuídas a pessoas próximas a Daniel Vorcaro foram analisadas pela Polícia Federal.
• Paulo Gonet aparece citado nas conversas.
• Ciro Soares teria procurado Gonet antes da eleição do CNPG.
• O pedido seria para que um candidato desistisse da disputa.
• Jarbas Soares Júnior acabou assumindo a presidência do conselho em 2024.
Como Gonet aparece no relatório da PF
A Polícia Federal chegou às referências a Gonet durante a análise do material extraído do celular de Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master.
O relatório descreve uma rede de contatos que envolvia empresários, advogados e integrantes de instituições públicas.
Em uma das conversas, Ciro Soares aparece como intermediário entre Vorcaro e Gonet. O advogado teria relatado ao banqueiro que havia procurado o procurador-geral para tratar da disputa pelo CNPG.
A PF registrou que o pedido envolvia a retirada de um candidato da eleição para favorecer Jarbas Soares Júnior.
Jarbas foi eleito presidente do CNPG em maio de 2024.
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| Relatório da Polícia Federal reúne referências a contatos de Daniel Vorcaro com autoridades e intermediários. Foto: reprodução/documento público. |
A eleição que entrou no radar da investigação
O Conselho Nacional dos Procuradores-Gerais reúne chefes dos Ministérios Públicos estaduais e de outros ramos do Ministério Público.
A presidência da entidade tem peso institucional. O cargo permite ao ocupante representar os procuradores-gerais em discussões nacionais relacionadas ao funcionamento do Ministério Público.
É nesse contexto que a suposta interferência ganha relevância dentro do relatório da PF.
A investigação não afirma, por si só, que a eleição tenha sido ilegal. O que o documento registra é uma possível atuação nos bastidores para influenciar o resultado da disputa.
O elo com Daniel Vorcaro
A referência à eleição dos procuradores aparece dentro de uma investigação muito maior: a apuração sobre o Banco Master e as relações mantidas por Daniel Vorcaro com integrantes de diferentes áreas do poder público.
A análise do celular do banqueiro revelou mensagens que levaram os investigadores a identificar contatos envolvendo o procurador-geral da República, integrantes da Polícia Federal e o ministro Alexandre de Moraes.
No caso de Moraes, a PF identificou mensagens enviadas por Vorcaro a um contato salvo em nome do ministro. Parte das respostas não pôde ser recuperada, segundo o relatório, porque as mensagens eram enviadas por mecanismos que dificultavam o armazenamento do conteúdo.
O material também registra referências a Andrei Rodrigues, diretor-geral da Polícia Federal.
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| Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, aparece no centro das investigações que deram origem ao relatório da PF. Foto: divulgação/reprodução. |
A divulgação do relatório criou uma situação incomum para o procurador-geral da República.
Gonet é citado no material produzido pela Polícia Federal e, ao mesmo tempo, passou a questionar a validade da investigação que revelou as mensagens.
Em manifestação enviada ao Supremo Tribunal Federal em 1º de setembro, Gonet pediu a nulidade da apuração relacionada às conversas entre Vorcaro e Alexandre de Moraes.
O procurador-geral sustentou que André Mendonça não poderia ter determinado diretamente à Polícia Federal uma investigação específica envolvendo outro ministro do Supremo sem que o procedimento passasse previamente pelo plenário da Corte.
O ponto de conflito
A discussão passou a envolver não apenas o conteúdo das mensagens, mas também a legalidade da forma como a investigação foi conduzida e quem poderia determinar novas diligências envolvendo integrantes do próprio Supremo.
Por que o caso é politicamente sensível
O episódio reúne três instituições centrais da República: Supremo Tribunal Federal, Procuradoria-Geral da República e Polícia Federal.
A situação se torna ainda mais delicada porque as referências a Gonet aparecem em uma investigação que também examina a relação de Vorcaro com outras autoridades.
O relatório da PF, porém, não deve ser confundido com uma sentença ou uma conclusão definitiva sobre a existência de crimes.
A possível interferência na eleição dos procuradores precisa ser analisada a partir das mensagens, dos demais documentos reunidos pela investigação e das explicações dos envolvidos.
O que está comprovado e o que ainda precisa ser apurado
Documentado: o relatório da PF registra referências a Paulo Gonet e descreve uma suposta articulação relacionada à eleição do CNPG.
Ainda em apuração: se houve efetiva interferência de Gonet e qual foi o resultado concreto de eventual atuação.
Não demonstrado apenas pelas mensagens: a prática de crime ou qualquer irregularidade definitiva por parte do procurador-geral.
O que acontece agora
O caso deverá continuar no Supremo Tribunal Federal, onde serão analisados os questionamentos apresentados pela Procuradoria-Geral da República e os elementos reunidos pela Polícia Federal.
A retirada do sigilo aumentou a pressão sobre as instituições envolvidas. As próximas decisões deverão esclarecer quais partes do relatório poderão ser utilizadas e se haverá aprofundamento das apurações.
Também permanece no centro do debate a relação entre as autoridades citadas e Daniel Vorcaro, além da eventual influência exercida pelo banqueiro sobre integrantes do sistema de Justiça.
Nota editorial: esta reportagem utiliza expressões como “segundo a PF”, “aponta” e “possível” porque as informações descritas fazem parte de uma investigação. A citação de uma autoridade em mensagens ou documentos não constitui, isoladamente, prova de crime ou irregularidade.
Fontes consultadas
A reportagem foi elaborada com base nas informações divulgadas sobre o relatório da Polícia Federal, na manifestação da Procuradoria-Geral da República e na cobertura dos desdobramentos do caso Banco Master.
Fontes: Polícia Federal; Supremo Tribunal Federal; Procuradoria-Geral da República; Agência Brasil; imprensa nacional.



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