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URNA SEM PIEDADE: 25 figurões da política que perderam o mandato nas eleições de 2026
Haddad, Gleisi, Marina, Tebet, Renan Calheiros, Ciro Gomes e outros nomes tradicionais ficaram pelo caminho; resultado aponta para uma renovação que atingiu principalmente a velha política
Por Carlos André Moitas
Registro Profissional 0102501/SP
5 de outubro de 2026
As urnas de 2026 produziram uma das maiores listas recentes de políticos tradicionais que ficarão sem mandato a partir de 2027. Entre ex-ministros, ex-governadores, ex-presidentes do Congresso, senadores veteranos e antigos candidatos à Presidência da República, nomes que durante anos ocuparam o centro do debate político brasileiro foram derrotados no primeiro turno.
O resultado de 4 de outubro não significa que todos esses políticos tenham sido rejeitados pelo eleitorado pelo mesmo motivo. São trajetórias, partidos e circunstâncias diferentes. Mas há um ponto em comum: uma parcela importante da velha guarda perdeu espaço nas urnas.
Haddad perde novamente para Tarcísio em São Paulo
Um dos resultados mais emblemáticos ocorreu em São Paulo. O ex-ministro da Fazenda e ex-prefeito da capital Fernando Haddad (PT) voltou a enfrentar Tarcísio de Freitas na disputa pelo governo estadual e terminou novamente derrotado.
Tarcísio foi reeleito no primeiro turno com mais de 60% dos votos válidos, enquanto Haddad ficou na segunda colocação, com pouco mais de 36%. Com isso, o petista terminou a eleição sem mandato eletivo.
A derrota ganhou peso nacional porque Haddad era apontado há anos como um dos nomes mais importantes do PT para uma eventual sucessão presidencial. O resultado, portanto, abre uma nova interrogação sobre o futuro político do ex-ministro.
E há um detalhe que não passou despercebido: esta foi mais uma derrota de Haddad em uma disputa majoritária depois das derrotas para Jair Bolsonaro na eleição presidencial de 2018 e para o próprio Tarcísio em 2022.
Senado também virou palco de derrotas históricas
Se a disputa pelo governo de São Paulo produziu um dos maiores tombos da eleição, o Senado protagonizou uma verdadeira renovação.
Em diferentes Estados, políticos que pareciam praticamente permanentes na política nacional perderam suas cadeiras.
Gleisi Hoffmann fica fora do Senado
No Paraná, Gleisi Hoffmann (PT) tentou voltar ao Senado, onde já havia exercido mandato, mas terminou apenas na quarta colocação. Filipe Barros (PL) e Deltan Dallagnol (Novo) conquistaram as duas vagas.
A derrota tem peso político porque Gleisi é uma das principais dirigentes nacionais do PT e já ocupou a Casa Civil durante o governo Dilma Rousseff, além de ter presidido o próprio Partido dos Trabalhadores.
Marina Silva e Simone Tebet ficam fora por São Paulo
São Paulo também produziu uma das maiores surpresas da eleição para o Senado. As ex-ministras Marina Silva (Rede) e Simone Tebet (PSB) não conseguiram uma das duas vagas.
As cadeiras ficaram com Guilherme Derrite (PP) e André do Prado (PL), ligados ao grupo político que apoia o governador Tarcísio de Freitas.
O resultado mostra como a eleição paulista mudou de configuração. Nomes associados ao campo governista e ao centro político ficaram atrás de candidatos identificados com uma agenda mais conservadora, especialmente nas áreas de segurança pública e oposição ao establishment político.
Renan Calheiros: fim de uma era no Senado
Poucas derrotas foram tão simbólicas quanto a de Renan Calheiros (MDB) em Alagoas.
O senador tentava conquistar seu quinto mandato consecutivo, mas terminou atrás de Arthur Lira (PP) e Marina JHC (PSDB).
Renan estava no Senado desde 1995 e presidiu a Casa em três períodos. Depois de 32 anos de presença no Congresso, deixará o Legislativo a partir de 2027.
A derrota é mais do que um resultado eleitoral individual. Ela representa o encerramento de um dos ciclos mais longos de permanência de uma liderança política no Congresso Nacional.
Quem mais ficou pelo caminho?
A lista de políticos tradicionais derrotados é extensa. Entre os principais nomes que terminaram o primeiro turno sem mandato estão:
- Fernando Haddad (PT) — derrotado na disputa pelo governo de São Paulo.
- Gleisi Hoffmann (PT) — não eleita senadora pelo Paraná.
- Marina Silva (Rede) — não eleita senadora por São Paulo.
- Simone Tebet (PSB) — não eleita senadora por São Paulo.
- Renan Calheiros (MDB) — não reeleito senador por Alagoas.
- Benedita da Silva (PT) — não eleita senadora pelo Rio de Janeiro.
- Ciro Gomes (PSDB) — derrotado na disputa pelo governo do Ceará.
- Aécio Neves (PSDB) — não eleito senador por Minas Gerais.
- Randolfe Rodrigues (PT) — não reeleito senador pelo Amapá.
- Ciro Nogueira (PP) — não reeleito senador pelo Piauí.
- Esperidião Amin (PP) — não reeleito senador por Santa Catarina.
- Soraya Thronicke (PSB) — não reeleita senadora por Mato Grosso do Sul.
- Roseana Sarney (MDB) — não conseguiu retornar ao Senado pelo Maranhão.
- Paulo Pimenta (PT) — não eleito senador pelo Rio Grande do Sul.
- Jorge Viana (PT) — não eleito senador pelo Acre.
- Mendonça Filho (PL) — não eleito senador por Pernambuco.
- Marcelo Crivella (Republicanos) — terminou a eleição sem mandato.
- Manuela D'Ávila (PSOL) — não eleita senadora pelo Rio Grande do Sul.
- José Dirceu (PT) — não conseguiu retornar à Câmara dos Deputados.
- Vicentinho (PT) — não conseguiu novo mandato de deputado federal.
- Rui Falcão (PT) — não conseguiu a reeleição para a Câmara.
- Paulo Teixeira (PT) — não conseguiu a reeleição para deputado federal.
- Delúbio Soares (PT) — não conseguiu retornar à Câmara.
- Renan Filho (MDB) — derrotado na disputa pelo governo de Alagoas.
- João Campos (PSB) — derrotado na disputa pelo governo de Pernambuco.
A relação reúne políticos de diferentes partidos e correntes ideológicas. Portanto, não se trata de uma lista exclusivamente de derrotados da esquerda. A principal característica é outra: nomes que durante anos ocuparam posições de enorme influência perderam espaço nas urnas.
O PT perdeu caciques, mas não desapareceu
É importante não confundir a derrota de figuras históricas com o desaparecimento de um partido.
O PT conseguiu manter força eleitoral e ampliar sua bancada na Câmara dos Deputados. Ao mesmo tempo, entretanto, nomes tradicionais da legenda, como Gleisi Hoffmann, José Dirceu, Vicentinho, Rui Falcão, Paulo Teixeira, Benedita da Silva, Jorge Viana e Paulo Pimenta, ficaram sem mandato.
O contraste é evidente: o partido sobreviveu e cresceu em determinados espaços, mas parte de sua velha guarda perdeu espaço individualmente.
A direita também terá de provar que sabe renovar
Para o campo conservador, o resultado pode parecer uma vitória incontestável. Mas seria um erro interpretar as urnas apenas como um cheque em branco.
O eleitor não está necessariamente escolhendo políticos novos apenas por serem de direita. Ele está cobrando resultados, segurança, eficiência, responsabilidade fiscal e uma representação que esteja mais próxima das preocupações reais da população.
A vitória de nomes ligados à direita e ao centro-direita no Senado aumenta a responsabilidade desses parlamentares. A partir de 2027, a cobrança será justamente para que a renovação não seja apenas uma troca de nomes, mas também uma mudança de postura.
EDITORIAL | A mensagem das urnas é maior do que um partido
Há uma leitura política que não deveria ser ignorada: o eleitor brasileiro parece cada vez menos disposto a tratar determinados políticos como donos permanentes de seus cargos.
Durante décadas, algumas famílias, partidos e lideranças construíram verdadeiros feudos eleitorais. O Congresso se acostumou a ver os mesmos rostos, os mesmos grupos e, muitas vezes, as mesmas alianças atravessando diferentes governos.
As eleições de 2026 deram um recado diferente.
A direita ganhou espaço, especialmente em disputas importantes para o Senado e nos grandes colégios eleitorais. Mas a mensagem mais importante talvez seja outra: mandato não é propriedade particular de político nenhum.
O eleitor pode retirar do poder quem durante anos parecia impossível de ser derrotado. E isso é saudável para uma democracia.
Para quem defende uma agenda conservadora, liberal e de direita, o momento exige maturidade. Não basta comemorar a derrota de adversários históricos. É preciso entregar aquilo que foi prometido durante a campanha.
Segurança pública, combate à corrupção, liberdade de expressão, responsabilidade fiscal, redução da burocracia e respeito ao contribuinte precisam sair do discurso e chegar à prática.
Caso contrário, os novos eleitos descobrirão rapidamente a mesma lição que seus antecessores acabaram de aprender: nenhum político é maior do que a urna.
Uma eleição que encerra ciclos
A eleição de 2026 ainda terá o segundo turno para presidente e para os governos estaduais em que nenhum candidato alcançou a maioria necessária. Mas, para Senado e Câmara, a decisão das urnas já está tomada.
A partir de 2027, Brasília terá novos protagonistas. Alguns deles chegam com forte discurso de renovação. Outros já são conhecidos do eleitorado.
O desafio será transformar a mudança de nomes em mudança efetiva de comportamento político.
Afinal, a urna pode aposentar velhos caciques. Mas somente o exercício responsável do mandato poderá provar que a renovação realmente valeu a pena.
Fontes: Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo; Agência Brasil; Poder360; iG/Último Segundo; resultados eleitorais divulgados após o primeiro turno das eleições de 2026.
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