Fachin aciona a PGR e coloca futuro de Andrei Rodrigues na PF em xeque após guerra dentro do STF
Presidente do Supremo pediu manifestação de Paulo Gonet antes de decidir sobre a permanência do diretor-geral da Polícia Federal, após André Mendonça afastar Andrei e Flávio Dino determinar sua volta ao cargo
Jornalista — Registro Profissional 0102501/SP
O comando da Polícia Federal entrou novamente no centro da crise institucional que envolve o Supremo Tribunal Federal. O presidente da Corte, Edson Fachin, decidiu acionar a Procuradoria-Geral da República antes de definir o futuro do diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues.
A decisão foi tomada na quinta-feira (24) e ocorre depois de uma sequência de decisões conflitantes dentro do próprio STF. Primeiro, André Mendonça determinou o afastamento de Andrei Rodrigues. Cerca de 24 horas depois, Flávio Dino determinou a reintegração do diretor-geral.
Fachin suspendeu as decisões anteriores e assumiu a condução da questão. Agora, a manifestação do procurador-geral da República, Paulo Gonet, deverá integrar a análise que definirá os próximos passos.
O diretor-geral da PF permanece no cargo enquanto Fachin conduz a análise. A decisão final sobre sua permanência ainda não foi anunciada.
A guerra de decisões que colocou a PF no centro do conflito
O episódio começou em 8 de setembro, quando André Mendonça determinou o afastamento de Andrei Rodrigues e do diretor de Inteligência Policial, Leandro Almada da Costa.
Mendonça apontou suspeitas relacionadas à produção de relatórios de inteligência que, segundo sua decisão, teriam monitorado autoridades. O ministro determinou ainda a abertura de procedimentos investigatórios criminais e administrativo-disciplinares.
No dia seguinte, Flávio Dino determinou a reintegração de Andrei e Almada. A existência de duas decisões contraditórias levou Fachin a intervir diretamente.
Fachin já havia colocado a permanência de Andrei sob análise
A decisão desta quinta-feira não surgiu isoladamente. Em 9 de setembro, Fachin já havia determinado que Andrei Rodrigues prestasse informações ao Supremo em até 48 horas.
Na ocasião, o presidente do STF afirmou que caberia à Presidência da Corte tratar da questão. A medida manteve Andrei no cargo até uma nova análise.
A CNN informou que Fachin suspendeu tanto a decisão de Mendonça, que afastava Andrei, quanto a decisão de Dino, que havia determinado sua reintegração.
- 8 de setembro: André Mendonça determina o afastamento de Andrei Rodrigues e Leandro Almada.
- 9 de setembro: Flávio Dino determina a reintegração dos dois servidores.
- 9 de setembro: Fachin suspende as decisões conflitantes e mantém Andrei no cargo até nova análise.
- 9 de setembro: Fachin determina que Andrei preste informações em 48 horas.
- 24 de setembro: Fachin solicita manifestação da PGR sobre o afastamento.
- Próximo passo: manifestação do procurador-geral Paulo Gonet antes da decisão de Fachin.
Por que Mendonça afastou o diretor da PF?
A decisão de André Mendonça está relacionada aos relatórios de inteligência que passaram a integrar a crise envolvendo investigações sobre o Banco Master, Daniel Vorcaro e autoridades do STF.
Segundo a decisão relatada pela imprensa, Mendonça considerou grave a produção dos documentos e questionou a existência de monitoramento sobre sua atuação.
A Folha de S.Paulo informou que Mendonça vinha considerando o afastamento havia semanas e que o conflito envolvendo relatórios atribuídos à PF contribuiu para a decisão.
A discussão não envolve apenas a permanência de um delegado no cargo. O episódio colocou em debate os limites da atuação de ministros do STF sobre a estrutura de comando da Polícia Federal e a relação entre Judiciário, Executivo e órgão de investigação.
A Advocacia-Geral da União sustentou que a nomeação e a exoneração do diretor-geral da PF são atribuições do presidente da República e argumentou que uma mudança abrupta poderia afetar o funcionamento da corporação.
Quem é Andrei Rodrigues?
Andrei Augusto Passos Rodrigues é delegado da Polícia Federal e ocupa a direção-geral da corporação desde janeiro de 2023. A própria Polícia Federal o identifica oficialmente como diretor-geral.
A PF registrou a presença de Andrei, ainda nesta quinta-feira (24), em cerimônia de posse do novo superintendente regional da instituição no Piauí. O registro oficial demonstra que ele seguia exercendo normalmente a função enquanto o impasse jurídico estava sendo analisado.
Em documento institucional da PF, Andrei aparece como responsável pela direção-geral e como presidente do Comitê de Governança da corporação.
A manifestação da PGR pode ser decisiva
Com a solicitação de Fachin, o procurador-geral da República passa a ter participação formal na discussão antes da próxima decisão sobre o afastamento.
A manifestação de Paulo Gonet, entretanto, não representa a decisão final sobre o cargo. O posicionamento será considerado por Fachin na condução do caso.
O episódio mostra a dimensão da crise: três ministros do STF já estiveram envolvidos em decisões diferentes sobre o mesmo diretor da Polícia Federal — Mendonça pelo afastamento, Dino pela reintegração e Fachin pela suspensão das decisões e condução do impasse.
O que ainda não está definido
| Questão | Situação |
|---|---|
| Andrei Rodrigues permanece no cargo? | Sim, enquanto Fachin analisa o caso. |
| Fachin já decidiu afastá-lo? | Não. |
| PGR já apresentou parecer? | A solicitação de manifestação foi feita; a decisão depende dos próximos passos processuais. |
| Mendonça mantém sua decisão original? | A decisão foi suspensa por Fachin. |
| Dino mantém sua decisão de reintegração? | Sua decisão também foi suspensa por Fachin. |
Editorial — Te Politizei
O caso levanta uma questão institucional que não pode ser ignorada.
Independentemente de preferências políticas, a Polícia Federal precisa preservar sua autonomia técnica e operar dentro das regras legais. Da mesma forma, decisões sobre o comando de uma instituição de Estado precisam ter fundamentos jurídicos claros e competências bem delimitadas.
Quando um ministro determina o afastamento do diretor da PF, outro ministro determina sua volta e o presidente da Corte precisa suspender as duas decisões para reorganizar o processo, o problema deixa de ser apenas o destino de um delegado.
Passa a existir uma discussão sobre os limites institucionais entre os Poderes e dentro do próprio Supremo.
O cidadão precisa saber quem pode afastar o chefe da Polícia Federal, em quais circunstâncias e com quais garantias. Também precisa saber quais elementos justificaram cada decisão.
Transparência, devido processo e respeito às competências institucionais são fundamentais para que investigações envolvendo autoridades políticas e econômicas não sejam contaminadas por disputas entre diferentes grupos de poder.
A crise agora está nas mãos de Fachin
A manifestação da PGR será o próximo capítulo. Depois dela, caberá a Fachin avaliar a situação de Andrei Rodrigues e decidir os próximos passos.
Até lá, o diretor-geral continua no comando da Polícia Federal. O que começou com um afastamento determinado por André Mendonça transformou-se em uma disputa institucional que passou pela reação de Flávio Dino e terminou, por enquanto, sob condução do presidente do STF.
O próximo movimento será a manifestação da Procuradoria-Geral da República. Depois disso, Fachin deverá definir os rumos do processo envolvendo o comando da Polícia Federal.
Nota editorial
Esta reportagem foi produzida com base em informações publicadas em 24 e 25 de setembro de 2026 por veículos de imprensa e em registros oficiais da Polícia Federal e do Supremo Tribunal Federal. As acusações e interpretações atribuídas a ministros, órgãos públicos ou terceiros são apresentadas como tais. A existência de investigação, decisão judicial ou questionamento institucional não representa, por si só, comprovação de crime ou irregularidade.
Fontes consultadas: Supremo Tribunal Federal, Polícia Federal, CNN Brasil, Folha de S.Paulo, InfoMoney, Poder360 e Agência Estado.
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