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PCC e Comando Vermelho entram na mira de ação conjunta de 14 países aliados de Trump

PCC e Comando Vermelho entram na mira de ação conjunta de 14 países aliados de Trump

Escudo das Américas anuncia medidas coordenadas contra 24 organizações classificadas pelos Estados Unidos como narcoterroristas; Brasil ficou fora da declaração

Por Carlos André Moitas
Jornalista — Registro Profissional 0102501/SP
Publicado em 23 de setembro de 2026
Donald Trump durante encontro do Escudo das Américas em Nova York
Donald Trump durante encontro do Escudo das Américas. Foto: The White House/Wikimedia Commons — domínio público.

O combate ao narcotráfico ganhou uma nova frente de atuação internacional no continente americano. Estados Unidos e outros 14 países das Américas anunciaram uma ação conjunta contra 24 organizações criminosas classificadas pelos Estados Unidos como organizações terroristas estrangeiras.

Entre os grupos incluídos estão o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV), duas das principais facções criminosas brasileiras.

O anúncio ocorreu na terça-feira (22), em Nova York, durante uma reunião do chamado Escudo das Américas, realizada paralelamente à 81ª Assembleia Geral das Nações Unidas.

24 organizações entram na mira
14 países latino-americanos e caribenhos aderiram à declaração
Estados Unidos lideram a iniciativa
24 organizações aparecem na relação de grupos-alvo
PCC e Comando Vermelho estão entre os grupos citados


Trump cobra ação coordenada contra as facções

Durante o encontro, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, pediu aos integrantes do Escudo das Américas que reconheçam as organizações classificadas como narcoterroristas como ameaças comuns à estabilidade regional e adotem sanções contra elas.

Segundo a declaração conjunta, os países pretendem fortalecer a cooperação em segurança e adotar medidas dentro de suas respectivas legislações nacionais e obrigações internacionais.

A proposta inclui ações para atingir financeiramente as organizações e dificultar a atuação internacional de seus integrantes e apoiadores.

PCC e Comando Vermelho aparecem entre os 24 grupos

A relação apresentada pelos integrantes do Escudo das Américas inclui organizações criminosas e grupos armados de diferentes países do continente.

O PCC e o Comando Vermelho aparecem na lista ao lado de grupos como MS-13, Tren de Aragua, Cartel de Sinaloa, Cartel de Jalisco Nueva Generación, Clan del Golfo, ELN, Sendero Luminoso e dissidências das FARC.

A inclusão das duas facções brasileiras amplia o alcance internacional das medidas anunciadas e coloca as organizações brasileiras no mesmo mecanismo de cooperação utilizado pelos países participantes contra outras redes criminosas transnacionais.

Marca do Comando Vermelho em muro no Brasil
Pichação associada ao Comando Vermelho em área urbana brasileira. Imagem ilustrativa.


Quais países participam?

A declaração divulgada em Nova York foi assinada pelos Estados Unidos e pelos seguintes 14 países:

Países que assinaram a declaração
País Participação
Argentina Sim
Bolívia Sim
Chile Sim
Colômbia Sim
Costa Rica Sim
República Dominicana Sim
Equador Sim
El Salvador Sim
Guiana Sim
Honduras Sim
Panamá Sim
Paraguai Sim
Peru Sim
Trinidad e Tobago Sim


Brasil ficou fora da declaração

O Brasil não aparece entre os países que assinaram a declaração conjunta. A ausência brasileira ocorre em meio à divergência entre Brasília e Washington sobre a estratégia de combate ao crime organizado e ao narcotráfico.

A coalizão liderada pelos Estados Unidos reúne governos que decidiram aprofundar a cooperação contra organizações criminosas transnacionais. Brasil e México estão fora da articulação, segundo informações divulgadas sobre o encontro.

O que muda para o PCC e o Comando Vermelho

A declaração abre caminho para uma atuação coordenada entre os países participantes, incluindo medidas financeiras, migratórias e de responsabilização por apoio às organizações, sempre de acordo com as legislações nacionais.


Sanções podem atingir dinheiro, patrimônio e apoio logístico

Entre as medidas anunciadas estão a possibilidade de congelamento de ativos, restrições migratórias e de vistos para integrantes e apoiadores e medidas contra pessoas que forneçam apoio material ou logístico às organizações.

A aplicação concreta das medidas dependerá da legislação de cada país. O documento conjunto afirma que as ações serão adotadas de acordo com as obrigações jurídicas nacionais e internacionais dos governos participantes.

O foco financeiro é relevante porque organizações criminosas transnacionais dependem de recursos para manter redes de transporte, lavagem de dinheiro, aquisição de equipamentos e circulação de integrantes entre diferentes territórios.

Trump fala em guerra contra os cartéis

No encontro em Nova York, Trump afirmou que os cartéis representam uma ameaça à segurança do continente e pediu uma resposta conjunta dos países participantes.

O presidente americano também defendeu que os integrantes do Escudo das Américas adotem sanções contra as 24 organizações designadas pelos Estados Unidos.

A declaração reforça a estratégia adotada pelo governo americano de tratar grandes organizações do narcotráfico como uma questão de segurança nacional e de segurança regional.

Donald Trump durante cúpula do Escudo das Américas
Trump durante reunião do Escudo das Américas em 2026. Foto oficial da Casa Branca.

Uma pressão internacional inédita sobre as facções brasileiras

A inclusão do PCC e do Comando Vermelho na declaração representa uma ampliação da pressão internacional sobre as duas organizações.

Pela estratégia anunciada, o combate deixa de depender exclusivamente das ações realizadas dentro do território brasileiro e passa a envolver também mecanismos de cooperação entre governos que identificam as organizações como ameaças transnacionais.

Na prática, uma articulação desse tipo pode dificultar a movimentação internacional de integrantes, o acesso a determinados sistemas financeiros e a utilização de estruturas localizadas em outros países.

O que está por trás do Escudo das Américas

O Escudo das Américas foi lançado pelo governo Trump como uma iniciativa de cooperação regional voltada principalmente ao combate ao narcotráfico e às organizações criminosas transnacionais.

A proposta envolve três áreas de atuação: segurança, coordenação multilateral e cooperação econômica. A declaração de 22 de setembro avançou especificamente na frente de segurança ao estabelecer uma resposta conjunta contra os 24 grupos relacionados pelos Estados Unidos.

O ponto central da nova estratégia

PCC e Comando Vermelho passaram a fazer parte de uma lista internacional de organizações contra as quais os países participantes pretendem coordenar medidas. A aplicação das ações, porém, depende das leis e dos procedimentos de cada país.

A dimensão política para o Brasil

A ausência brasileira coloca o país em uma posição diferente da adotada por Argentina, Paraguai, Peru, Equador, Colômbia, El Salvador e outros integrantes da coalizão.

A discussão também envolve soberania. Enquanto os Estados Unidos defendem uma resposta regional mais integrada contra o narcotráfico, o governo brasileiro tem defendido que o enfrentamento às facções ocorra dentro das estruturas brasileiras de segurança e cooperação internacional.

O resultado dessa diferença de estratégia poderá ganhar importância caso as medidas anunciadas pelo Escudo das Américas sejam ampliadas e passem a produzir efeitos concretos sobre operações financeiras, circulação de criminosos e compartilhamento de inteligência.

Análise editorial — Te Politizei

A principal novidade desta articulação está na tentativa de tratar o crime organizado como um problema que ultrapassa as fronteiras nacionais.

PCC e Comando Vermelho nasceram e cresceram no Brasil, mas suas atividades criminosas não estão necessariamente limitadas às fronteiras brasileiras. Tráfico, lavagem de dinheiro, logística e conexões internacionais tornam a cooperação entre países um componente relevante para as autoridades.

O fato de 14 países terem aderido à iniciativa liderada por Washington também aumenta a pressão sobre o Brasil para apresentar resultados no combate às grandes facções criminosas.

A questão agora é acompanhar como as medidas anunciadas serão implementadas e quais efeitos terão sobre o patrimônio, a logística e a atuação internacional das organizações criminosas brasileiras.

Nota editorial

O termo “narcoterrorista” nesta reportagem é utilizado para descrever a classificação adotada pelos Estados Unidos e pelos integrantes da declaração do Escudo das Américas. A inclusão do PCC e do Comando Vermelho na iniciativa internacional não significa que a legislação brasileira tenha automaticamente adotado a mesma classificação jurídica. As medidas anunciadas estão sujeitas às leis e aos procedimentos de cada país.

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Fontes consultadas

  • UOL/Reuters — reunião do Escudo das Américas e declaração sobre os 24 grupos.
  • Departamento de Estado dos Estados Unidos — declaração conjunta dos países participantes.
  • Reuters — declarações de Donald Trump durante o encontro de 22 de setembro de 2026.
  • White House — participação de Donald Trump no evento do Escudo das Américas.
  • Wikimedia Commons/The White House — imagem oficial de Trump no Escudo das Américas.

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