A crise envolvendo o Banco Master atingiu um novo patamar de percepção pública nesta terça-feira (22). Uma pesquisa AtlasIntel encomendada pelo Estadão mostra que 85,1% dos entrevistados acreditam que existe envolvimento direto de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) no caso.
O número representa uma mudança significativa em relação ao levantamento realizado em março. Naquela pesquisa, 66,1% dos entrevistados afirmavam acreditar em envolvimento direto de integrantes da Corte.
O levantamento mais recente foi realizado entre os dias 17 e 21 de setembro, justamente durante uma fase de forte tensão dentro do Supremo em razão das investigações envolvendo o Banco Master e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
O dado divulgado pela AtlasIntel precisa ser lido com precisão. A pesquisa não afirma que 85,1% dos ministros do STF estejam envolvidos no caso.
O percentual corresponde à parcela dos entrevistados que respondeu afirmativamente à pergunta sobre a existência de envolvimento direto de ministros do Supremo no caso Banco Master.
Trata-se, portanto, de uma medição da percepção da população diante das informações que vieram a público durante as investigações. O resultado não substitui investigação policial, prova documental ou decisão judicial.
Uma pesquisa de opinião mede o que os entrevistados pensam sobre determinado assunto. Ela não estabelece responsabilidade jurídica nem comprova a prática de crimes.
A comparação com a pesquisa anterior chama atenção. Em março, 66,1% dos entrevistados diziam acreditar em envolvimento direto de ministros do STF com o Banco Master.
Agora, o percentual chegou a 85,1%, uma diferença de 19 pontos percentuais.
No sentido contrário, a parcela que não acreditava em envolvimento caiu de 14,9% para 4,4%. Já os que não souberam responder passaram de 18,9% para 10,5%.
O levantamento foi realizado em um momento de intensa disputa pública dentro do Supremo.
Nas últimas semanas, o caso passou a envolver discussões sobre mensagens extraídas do celular de Daniel Vorcaro, contratos, relações entre pessoas ligadas ao banco e integrantes ou familiares de integrantes do Judiciário.
A crise ganhou ainda mais dimensão depois da sessão extraordinária do STF realizada em 15 de setembro, quando os ministros discutiram a possibilidade de abertura de investigação relacionada a Alexandre de Moraes.
A sessão terminou sem uma decisão definitiva sobre todos os pontos discutidos. O ministro Flávio Dino pediu vista, interrompendo a análise.
A pesquisa não perguntou apenas sobre o suposto envolvimento de ministros.
Os entrevistados também avaliaram o grau de sigilo das investigações. 64% concordaram totalmente com a afirmação de que existe excesso de sigilo no caso Master que prejudica a confiança da sociedade.
Outros 13% concordaram parcialmente. Na outra ponta, 5% discordaram e 11% discordaram completamente. Os demais não concordaram nem discordaram.
O levantamento mostra que a discussão sobre o Banco Master ultrapassou o campo financeiro e jurídico. Para uma parcela expressiva dos entrevistados, o caso também passou a afetar a percepção sobre a atuação do Supremo Tribunal Federal.
O levantamento também mediu diretamente a confiança na Corte.
Segundo os dados divulgados, 61% dos entrevistados afirmaram não confiar no trabalho e nos ministros do STF. Outros 27,8% disseram confiar, enquanto 11,1% não souberam ou não quiseram responder.
O resultado coloca a percepção sobre o Supremo no centro do debate provocado pelo caso Master.
As investigações e reportagens sobre o Banco Master passaram a mencionar diferentes integrantes do STF em contextos distintos. Isso não significa que todos estejam sob investigação criminal ou que tenham cometido irregularidades.
Alexandre de Moraes, Dias Toffoli, Kassio Nunes Marques e Luiz Fux aparecem em diferentes episódios noticiados sobre relações pessoais, profissionais ou financeiras envolvendo pessoas ligadas ao caso. As circunstâncias e as respostas apresentadas por cada envolvido são diferentes.
Em alguns episódios, os próprios ministros negaram irregularidades ou explicaram publicamente as circunstâncias dos contatos. As investigações continuam sendo o instrumento adequado para estabelecer quais fatos têm relevância jurídica.
A pesquisa também revela que o caso deixou de ser percebido apenas como uma investigação envolvendo o sistema financeiro.
A associação feita pelos entrevistados entre o Banco Master e integrantes do STF indica que a crise passou a atingir diretamente a imagem pública da instituição.
Isso ocorre enquanto o Supremo enfrenta divergências internas sobre a condução dos procedimentos relacionados ao caso. André Mendonça, relator de procedimentos ligados às investigações, entrou em confronto institucional com outros ministros, enquanto Edson Fachin, presidente da Corte, passou a conduzir uma situação marcada por disputas sobre competência, documentos e acesso às informações.
A pesquisa registra como a população está percebendo esse cenário. As conclusões sobre eventual responsabilidade individual, entretanto, dependem das provas e das decisões das autoridades competentes.
O número de 85,1% merece atenção não porque uma pesquisa de opinião possa determinar responsabilidades jurídicas, mas porque revela o tamanho da desconfiança que o caso Master provocou entre os entrevistados.
Em apenas alguns meses, a parcela que acredita em envolvimento direto de ministros passou de 66,1% para 85,1%. Ao mesmo tempo, caiu de 14,9% para 4,4% a parcela que não acredita nessa ligação.
O dado coloca uma questão que vai além dos nomes envolvidos: como recuperar a confiança pública quando uma investigação financeira passa a atingir diretamente a imagem da mais alta Corte do país?
A resposta não está em uma pesquisa de opinião. Está na transparência das investigações, na divulgação das provas dentro dos limites legais e na capacidade das instituições de esclarecer os fatos e separar relações legítimas de eventuais conflitos de interesse ou irregularidades.
O Te Politizei destaca que os 85,1% apresentados nesta reportagem representam a percepção dos entrevistados pela AtlasIntel sobre a existência de envolvimento direto de ministros do STF no caso Banco Master. O percentual não significa que 85,1% dos ministros estejam envolvidos e não constitui prova de crime ou irregularidade. Eventuais responsabilidades individuais dependem de investigação, contraditório, provas e decisões das autoridades competentes.
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Pesquisa Atlas/Estadão: 85,1% dizem acreditar em envolvimento de ministros do STF no caso Banco Master
Levantamento realizado em setembro mostra forte percepção de ligação entre integrantes do Supremo e o caso envolvendo o Banco Master; em março, índice era de 66,1%
Jornalista — Registro Profissional 0102501/SP
Publicado em 22 de setembro de 2026
4,4% — não acreditam em envolvimento direto
10,5% — não souberam responder
1.852 adultos entrevistados
Margem de erro: 2 pontos percentuais
Confiança estatística: 95%
O que exatamente a pesquisa mediu
A percepção cresceu 19 pontos desde março
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Resposta
Março
Setembro
Acreditam em envolvimento direto
66,1%
85,1%
Não acreditam
14,9%
4,4%
Não sabem
18,9%
10,5%
Caso Master colocou o STF sob forte pressão
Sigilo também aparece entre as principais preocupações
O que a pesquisa diz sobre a confiança no STF
Relações com ministros ainda são objeto de investigação e contestação
A dimensão política do desgaste
Análise editorial — Te Politizei
Nota editorial
Fontes consultadas
Por Carlos André Moitas
85,1% apontam envolvimento
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85,1% — acreditam em envolvimento direto
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O ponto central
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Evolução da percepção
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Confiança passou a ser um dos principais pontos do caso
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