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A PIZZA FICOU PRONTA?! Conselho do MPF barra investigação de Gonet por 5 a 4 no caso Master

A PIZZA FICOU PRONTA? Conselho do MPF barra investigação de Gonet por 5 a 4 no caso Master

Depois de quase sete horas de sessão, Conselho Superior do Ministério Público Federal rejeitou a abertura de investigação contra o procurador-geral da República; Gonet também foi mantido à frente dos processos relacionados ao Banco Master

Por Carlos André Moitas
Jornalista — Registro Profissional 0102501/SP
Paulo Gonet, procurador-geral da República
Paulo Gonet, procurador-geral da República. Foto: MPF.

Brasília — A decisão saiu. E o placar foi apertado: 5 votos a 4. O Conselho Superior do Ministério Público Federal (CSMPF) rejeitou, nesta sexta-feira (25), a abertura de investigação criminal contra o procurador-geral da República, Paulo Gonet, no episódio envolvendo o Banco Master e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro.

Na mesma sessão, os conselheiros decidiram, por unanimidade, não afastar Gonet da condução dos processos relacionados ao caso. O Conselho entendeu que não tinha competência para julgar eventual suspeição ou impedimento processual do procurador-geral perante o Supremo Tribunal Federal.

PLACAR DA DECISÃO
5 x 4
Contra a abertura da investigação
9 x 0 para manter Gonet à frente dos processos

O que estava em discussão?

O procedimento foi instaurado depois que mensagens encontradas pela Polícia Federal no celular de Daniel Vorcaro passaram a mencionar Gonet. Entre os elementos analisados estavam referências feitas por terceiros, mensagens atribuídas a interlocutores e uma fotografia de Gonet ao lado de Vorcaro durante um evento em Londres, em abril de 2024.

A existência desses registros, porém, não significa, por si só, que tenha ocorrido crime ou favorecimento. O próprio Conselho analisou justamente se havia elementos mínimos capazes de justificar uma investigação criminal por possível prevaricação.

Na decisão oficial, a maioria concluiu que esses elementos não eram suficientes para caracterizar, naquele momento, indícios mínimos do crime.

Como votaram os conselheiros

Conselheiro Posição
Francisco Sanseverino Contra a investigação
Celso de Albuquerque Silva Contra a investigação
Alexandre Camanho de Assis Contra a investigação
Hindenburgo Chateaubriand Contra a investigação
Nicolao Dino Contra a investigação
Janice Agostinho Barreto Ascari A favor da investigação
Samantha Chantal Dobrowolski A favor da investigação
José Adonis Callou de Araújo Sá A favor da investigação
Ana Borges Coelho Santos A favor da investigação

O placar foi confirmado pelo próprio MPF e também pela Agência Brasil.

A divergência: investigar para esclarecer ou arquivar por falta de indícios?

A votação mostrou uma divisão relevante dentro do próprio Conselho. Os quatro votos favoráveis à investigação defenderam que os elementos conhecidos deveriam ser examinados com maior profundidade antes de uma conclusão definitiva.

A subprocuradora Ana Borges, por exemplo, sustentou que havia elementos suficientes, em tese, para justificar uma apuração sobre possível prevaricação. Já Janice Ascari afirmou que seria necessário esclarecer circunstâncias como eventuais pagamentos, reservas, contatos e o conteúdo de possíveis comunicações.

Do outro lado, a maioria considerou que não havia elementos mínimos suficientes para sustentar a abertura de uma investigação criminal. O relator Francisco Sanseverino destacou que as mensagens analisadas eram, em grande parte, referências feitas por terceiros e que não havia contato direto registrado entre Vorcaro e Gonet.

A foto de Gonet com Vorcaro

Paulo Gonet e Daniel Vorcaro em evento em Londres
Registro de Paulo Gonet ao lado de Daniel Vorcaro durante evento em Londres, em abril de 2024. Foto: reprodução.

Um dos pontos que mais chamou atenção durante a discussão foi uma fotografia de Gonet ao lado de Vorcaro durante uma degustação de uísque e charutos em Londres.

Segundo relatos publicados pela imprensa, o encontro ocorreu durante um fórum jurídico realizado em abril de 2024. Gonet afirmou que sua interação com Vorcaro foi breve e banal e negou proximidade pessoal com o empresário.

A fotografia, isoladamente, não comprova favorecimento ou prática criminosa. A controvérsia está justamente em saber se os registros deveriam ser suficientes para justificar uma investigação mais aprofundada.

Por que o resultado foi tão apertado?

A diferença de apenas um voto expôs duas interpretações dentro do Conselho. De um lado, conselheiros entenderam que os elementos disponíveis não alcançavam o patamar mínimo necessário para uma investigação criminal. De outro, quatro integrantes consideraram que as informações justificavam uma apuração preliminar.

A própria existência de uma votação de 5 a 4 significa que não houve unanimidade sobre a abertura da investigação. O resultado encerrou aquele pedido específico, mas não transforma as versões apresentadas durante o procedimento em fatos comprovados.

PONTO CENTRAL:

O Conselho não concluiu que todas as questões envolvendo as mensagens e os contatos de Gonet com pessoas ligadas ao Banco Master eram inexistentes. A decisão foi pela não abertura da investigação criminal por falta, segundo a maioria, de elementos mínimos para caracterizar o crime de prevaricação.

Gonet continua à frente do caso Master

Outro resultado importante da sessão foi a manutenção de Gonet na condução dos processos relacionados ao Banco Master.

Nesse ponto, o placar foi ainda mais amplo: 9 votos a 0. O Conselho entendeu que não cabia ao colegiado decidir eventual suspeição ou impedimento processual do procurador-geral em processos que tramitam no Supremo Tribunal Federal.

De acordo com a manifestação oficial do MPF, eventual questionamento sobre suspeição deveria ser apresentado diretamente nos processos em tramitação no STF.

O que acontece agora?

Com a rejeição por 5 a 4, o procedimento analisado pelo Conselho não resultou na abertura de investigação criminal contra Gonet. A decisão também não afastou o procurador-geral dos processos relacionados ao Banco Master.

Isso não encerra, necessariamente, todas as discussões envolvendo o caso Master. As investigações sobre o banco, Daniel Vorcaro e outros envolvidos continuam em diferentes frentes. O que foi encerrado pelo julgamento do CSMPF foi o pedido específico submetido ao Conselho para investigar criminalmente a conduta de Gonet.

EDITORIAL — TE POLITIZEI

O problema agora é a transparência

Independentemente da posição política de quem acompanha o caso, uma questão institucional permanece relevante: quando autoridades que ocupam posições centrais no sistema de Justiça são citadas em investigações que envolvem pessoas poderosas, o padrão de transparência precisa ser alto.

O resultado de 5 a 4 mostra que houve divergência real dentro do próprio Ministério Público Federal. Quatro conselheiros entenderam que os elementos justificavam uma investigação preliminar. Cinco entenderam que não havia indícios mínimos para isso.

Não cabe transformar uma fotografia, uma mensagem de terceiro ou uma menção isolada em prova de crime. Da mesma forma, a sociedade tem legítimo interesse em saber como as instituições analisam situações que podem levantar dúvidas sobre eventual conflito de interesses.

O ponto central deveria ser simples: mesmo quando não há prova suficiente para acusar alguém, deve existir transparência suficiente para explicar por que a investigação não será aberta.

Essa é uma questão institucional, não partidária. O mesmo padrão precisa valer para integrantes do Ministério Público, magistrados, parlamentares, empresários ou qualquer outra autoridade envolvida em uma investigação.

Conclusão

A chamada “pizza”, portanto, não descreve juridicamente o que aconteceu. O que houve foi uma decisão formal do Conselho Superior do MPF: 5 votos a 4 contra a abertura da investigação criminal e 9 a 0 para não afastar Gonet da condução dos processos do Banco Master.

A divisão apertada, porém, explica por que o episódio continua provocando debate. De um lado, a maioria considerou insuficientes os elementos apresentados. Do outro, quatro conselheiros entenderam que havia questões que mereciam investigação.

O caso agora segue sem investigação criminal contra Gonet aberta pelo CSMPF, enquanto as demais apurações relacionadas ao Banco Master continuam.

NOTA EDITORIAL:
Esta reportagem diferencia fatos documentados, alegações apresentadas durante o procedimento e interpretações dos conselheiros. A rejeição da investigação não equivale a uma declaração de que todos os fatos relacionados ao caso Master foram esclarecidos, assim como a existência de mensagens ou fotografias não constitui, isoladamente, prova de crime.

Fontes consultadas

  • Ministério Público Federal — decisão do Conselho Superior do MPF sobre Paulo Gonet e o caso Banco Master.
  • Agência Brasil — resultado da votação de 25 de setembro de 2026.
  • Folha de S.Paulo — detalhes dos votos e dos argumentos apresentados durante a sessão.
  • Poder360 — composição da votação e argumentos do relator.

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