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Empate explosivo: Conselho do MPF fica dividido sobre investigação de Gonet no caso Master

Empate explosivo: Conselho do MPF fica dividido sobre investigação de Gonet no caso Master

Votação termina em 2 a 2 sobre a abertura de investigação preliminar envolvendo o procurador-geral da República; caso nasceu após mensagens de Daniel Vorcaro e foto de Gonet ao lado do ex-banqueiro em Londres

Por Carlos André Moitas
Jornalista — Registro Profissional 0102501/SP
Gonet
Gonet.

O caso Banco Master ganhou nesta sexta-feira (25) um novo capítulo dentro do próprio Ministério Público Federal. O Conselho Superior do MPF terminou dividido em 2 votos a 2 na análise sobre a abertura de uma investigação preliminar relacionada à atuação do procurador-geral da República, Paulo Gonet, nas apurações envolvendo o antigo Banco Master.

O procedimento nasceu depois que mensagens extraídas pela Polícia Federal do celular de Daniel Vorcaro passaram a mencionar o nome de Gonet em diferentes contextos. O material também inclui uma fotografia na qual o procurador-geral aparece ao lado do ex-banqueiro em Londres, durante um evento com charutos e uísque.

PLACAR DA SESSÃO

2 x 2

O Conselho ficou dividido na análise sobre o prosseguimento da apuração preliminar envolvendo Paulo Gonet.

O caso que chegou ao Conselho

A análise do Conselho Superior foi provocada por uma representação apresentada por parlamentares do Partido Novo, depois da divulgação de mensagens relacionadas a Vorcaro nas quais o nome de Gonet aparece.

O próprio MPF informou oficialmente que a sessão extraordinária desta sexta-feira tinha como objetivo analisar se havia elementos suficientes para a abertura de investigação sobre a atuação do procurador-geral da República na condução das apurações relativas ao Banco Master, especialmente nos procedimentos em tramitação no Supremo Tribunal Federal.

O caso é relatado pelo subprocurador-geral da República Francisco de Assis Sanseverino. Como Gonet é o alvo da análise, ele não participa da votação do procedimento. A sessão é conduzida pelo vice-presidente do Conselho, Nicolao Dino.

As mensagens de Vorcaro colocaram Gonet sob pressão

O material analisado pelo Conselho ganhou peso depois que a Polícia Federal encontrou no celular de Vorcaro referências ao procurador-geral.

Entre os registros está uma fotografia de abril de 2024 na qual Gonet aparece ao lado de Vorcaro em Londres. Segundo as reportagens que divulgaram o material, a imagem foi feita durante um evento no George Club, em Mayfair, em um contexto que envolvia degustação de uísque e charutos.

Paulo Gonet e Daniel Vorcaro em evento em Londres
Paulo Gonet e Daniel Vorcaro aparecem juntos em fotografia recuperada pela Polícia Federal. Foto: reprodução/arquivo.

A divulgação da fotografia acrescentou um elemento visual às mensagens já encontradas pelos investigadores e aumentou a pressão para que a relação entre o procurador-geral e o empresário fosse esclarecida.

Gonet nega amizade e interesse pessoal

Em manifestação enviada ao Conselho, Paulo Gonet afirmou que não possui relação de amizade com Daniel Vorcaro nem interesse pessoal nos processos relacionados ao ex-banqueiro.

O procurador-geral também declarou que seu único encontro presencial com Vorcaro ocorreu em abril de 2024, durante um evento jurídico em Londres que reunia outras autoridades.

Segundo Gonet, o encontro foi breve e não representou uma relação pessoal ou profissional próxima com Vorcaro. Ele também afirmou que não tinha conhecimento prévio de quem eram todos os patrocinadores do evento.

O que Gonet sustenta
  • Não possui amizade com Daniel Vorcaro;
  • não possui interesse pessoal nos processos envolvendo o ex-banqueiro;
  • teve apenas um encontro presencial com Vorcaro;
  • o encontro ocorreu em Londres, em abril de 2024;
  • o evento reunia outras autoridades e participantes;
  • não considera que os fatos comprometam sua atuação nos processos do Banco Master.

A foto mudou o ambiente da discussão

Antes da divulgação da fotografia, Gonet já havia afirmado que seu contato com Vorcaro tinha sido pontual. A imagem, entretanto, mostrou os dois lado a lado em uma confraternização e passou a integrar o conjunto de elementos analisados pelo Conselho.

A fotografia, isoladamente, não comprova crime ou favorecimento. Ela comprova que Gonet e Vorcaro estiveram juntos naquele evento. A questão submetida ao Conselho é outra: se o conjunto de mensagens, contatos e circunstâncias justifica uma investigação sobre a atuação do procurador-geral no caso Master.

O que estava em jogo na votação

O Conselho Superior não estava julgando Paulo Gonet por corrupção ou qualquer outro crime. A discussão é preliminar.

O objetivo é verificar se existem elementos suficientes para justificar uma apuração mais aprofundada sobre sua atuação nos procedimentos relacionados ao Banco Master.

A própria Agência Brasil destacou que o procedimento não corresponde a um processo administrativo disciplinar contra Gonet e que o Conselho deveria avaliar principalmente se as menções encontradas no material da PF comprometem sua imparcialidade no caso.

Importante

A abertura de uma investigação preliminar não significaria que Gonet cometeu crime. Da mesma forma, o arquivamento não eliminaria automaticamente todos os questionamentos políticos ou jornalísticos sobre os contatos revelados.

O objetivo de uma investigação é justamente separar fatos comprováveis de interpretações, versões e suspeitas.

O empate aumenta a pressão institucional

O placar de 2 a 2 expõe a divisão existente dentro do órgão responsável por analisar a situação do procurador-geral.

A situação também ganha relevância porque o Conselho Superior é uma das principais instâncias administrativas do Ministério Público Federal. O colegiado possui competências relacionadas à carreira dos procuradores, processos administrativos e outras decisões institucionais.

Pelas regras do Conselho, as decisões são tomadas por maioria. Em caso de empate, prevalece o voto do presidente, salvo em matérias de sanção, quando prevalece a solução mais favorável ao acusado.

A relação com o caso Banco Master

A controvérsia não pode ser dissociada da investigação maior envolvendo o antigo Banco Master e Daniel Vorcaro.

As mensagens recuperadas pela PF passaram a atingir diferentes autoridades e instituições. O caso provocou disputas dentro do Supremo, questionamentos sobre a condução das investigações e agora chegou também à cúpula administrativa do Ministério Público Federal.

Gonet também entrou em choque com a condução do ministro André Mendonça no caso. O procurador-geral questionou a validade de atos relacionados ao relatório produzido pela PF, enquanto Mendonça sustenta a legitimidade de sua atuação como relator.

Procuradoria-Geral da República
O Conselho Superior do MPF analisa questões institucionais da carreira e procedimentos relacionados aos integrantes do Ministério Público Federal.

O que pode acontecer agora

Possibilidade Consequência
Arquivamento O procedimento preliminar é encerrado.
Prosseguimento da apuração Um integrante do MPF poderá ser designado para aprofundar a análise dos fatos.
Análise sobre impedimento ou suspeição Poderá haver discussão sobre a permanência de Gonet na condução de determinados procedimentos.

Editorial — Te Politizei

O ponto central não é escolher um lado. É saber se as mesmas regras valem para todos.

O caso Master colocou sob escrutínio relações entre empresários, políticos, ministros do Supremo, integrantes da Polícia Federal e membros do Ministério Público. Quando o próprio procurador-geral da República passa a ser objeto de uma análise interna relacionada ao caso, a transparência institucional deixa de ser uma questão secundária.

Uma democracia funcional precisa permitir que autoridades sejam questionadas quando surgem fatos relevantes. Ao mesmo tempo, questionamento não pode ser confundido com condenação.

O empate de 2 a 2 mostra que o assunto está longe de ser consensual dentro do próprio MPF.

O caminho mais seguro é documental: mensagens completas, registros oficiais, agendas, perícias, movimentações financeiras e depoimentos. É isso que pode estabelecer o que efetivamente aconteceu.

Se não houver irregularidade, uma apuração poderá ajudar a esclarecer isso. Se houver elementos adicionais, eles precisam ser examinados pelas autoridades competentes, sem tratamento privilegiado para quem ocupa posições de poder.

Transparência não deve ser patrimônio de esquerda ou direita. Deve ser uma regra para todos.

O caso ainda está longe do fim

A votação desta sexta-feira não encerra as controvérsias envolvendo Paulo Gonet, Daniel Vorcaro e o Banco Master.

O material analisado pelo Conselho reúne mensagens, fotografias e referências a contatos que ainda precisam ser interpretados dentro do contexto completo da investigação.

O empate aumenta a pressão para que os próximos passos sejam públicos, fundamentados e juridicamente claros.

No caso que já atingiu empresários, ministros do STF, Polícia Federal e Congresso, agora a própria cúpula do Ministério Público Federal está no centro da disputa institucional.

Nota editorial

Esta reportagem foi elaborada com base em informações oficiais do Ministério Público Federal e em reportagens publicadas sobre o caso Banco Master. O resultado de 2 a 2 é tratado nesta matéria conforme o resultado informado na pauta desta reportagem; até o momento da edição, não foi localizada nos resultados públicos indexados consultados uma publicação oficial detalhando o placar e os votos individuais. A existência de mensagens, fotografias ou procedimento preliminar não é apresentada como prova de crime ou irregularidade. As manifestações de Paulo Gonet são apresentadas conforme suas próprias declarações e documentos divulgados.


Fontes consultadas: Ministério Público Federal, Agência Brasil, CNN Brasil, Folha de S.Paulo, UOL e Poder360.

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