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“XANDÃO É O MELHOR AMIGO DO DANIEL!” Áudio de cunhado de Vorcaro explode nos bastidores do STF e levanta novas perguntas sobre Moraes

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“XANDÃO É O MELHOR AMIGO DO DANIEL!” Áudio de cunhado de Vorcaro explode nos bastidores do STF e levanta novas perguntas sobre Moraes

Gravação de Fabiano Zettel revela que ele dizia contar com Alexandre de Moraes durante a crise do Banco Master; declaração sobre jantares e encontros com Daniel Vorcaro amplia questionamentos sobre a relação entre poder financeiro e autoridades de Brasília.

Por Carlos André Moitas
Jornalista — Registro Profissional 0102501/SP
30 de setembro de 2026

Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro em imagem relacionada ao caso Banco Master
Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro: áudio atribuído ao cunhado do banqueiro menciona relação de proximidade entre os dois. Imagem ilustrativa.

Uma gravação divulgada nesta quarta-feira (30) pela revista piauí colocou novamente o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), no centro das discussões envolvendo o Banco Master e seu ex-controlador, Daniel Vorcaro.

Em uma conversa privada, Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro e apontado como operador financeiro do empresário, afirmou que o ministro seria o melhor amigo do banqueiro e declarou que estava contando com ele durante o agravamento da crise da instituição financeira.

A frase que chamou a atenção foi direta:

“O Xandão é melhor amigo do Daniel. Tô contando com ele. Melhor amigo, faz jantar junto, sai junto.”

A declaração não é uma acusação formal nem comprova, isoladamente, qualquer interferência do ministro em decisões envolvendo o banco. Entretanto, levanta uma questão que exige esclarecimentos: o que exatamente Zettel esperava de Moraes naquele momento?

A frase foi dita durante uma crise decisiva do Banco Master

Segundo a reportagem do Times Brasil, o áudio foi gravado em 2 de setembro de 2025, quando Zettel acompanhava simultaneamente o julgamento do núcleo central da tentativa de golpe no STF e os acontecimentos relacionados à tentativa de venda do Banco Master ao Banco de Brasília (BRB).

Naquele momento, o ambiente era de crescente preocupação com o futuro da instituição financeira. No dia seguinte, o Banco Central rejeitou a operação de aquisição do Master pelo BRB.

Foi nesse contexto que Zettel mencionou Moraes como alguém com quem estaria contando.

O trecho divulgado não esclarece se a expectativa era por uma intervenção institucional, uma conversa pessoal, uma ajuda nos bastidores ou simplesmente uma manifestação de confiança na relação entre Vorcaro e o ministro.

Essa distinção é fundamental. Mas também não elimina a necessidade de transparência sobre eventuais contatos entre autoridades públicas e empresários envolvidos em situações de interesse institucional.

Jantares, encontros e uma relação que merece explicações

Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro em evento público
Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro em registro de evento. A imagem não representa o encontro mencionado no áudio.

A declaração de Zettel vai além de uma referência genérica a uma relação profissional. Ao mencionar que os dois faziam jantares e saíam juntos, ele descreveu uma proximidade pessoal entre o ministro e o banqueiro.

Outro episódio reforça a importância de esclarecer os contatos entre os envolvidos.

Reportagem publicada pela Folha de S.Paulo em setembro revelou mensagens nas quais Vorcaro organizou um almoço de luxo para Moraes em Campos do Jordão, no final de 2023. Segundo a publicação, o banqueiro orientou o chef responsável pelo evento a manter discrição sobre sua participação na organização.

O episódio, somado ao áudio de Zettel, amplia o debate sobre os limites entre relações privadas e a necessária independência de autoridades que exercem funções públicas.

Contrato milionário também está no centro dos questionamentos

A relação envolvendo o Banco Master e pessoas próximas ao ministro já havia provocado questionamentos em razão do contrato firmado entre a instituição financeira e o escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro.

Reportagens publicadas anteriormente apontaram um contrato de aproximadamente R$ 131 milhões. Mensagens extraídas do celular de Vorcaro também passaram a integrar o debate sobre os contatos mantidos com o ministro e sua família.

O escritório afirmou ter prestado serviços jurídicos ao banco. A existência de um contrato, por si só, não comprova irregularidade, assim como a relação pessoal mencionada por Zettel não demonstra automaticamente qualquer interferência judicial.

Entretanto, diante da dimensão financeira do contrato e da posição institucional de Moraes, a transparência sobre os fatos é indispensável para preservar a confiança pública nas instituições.

O que mais aparece nas gravações?

Os áudios divulgados pela revista piauí também revelam comentários de Zettel sobre a situação pessoal e empresarial de Vorcaro durante o agravamento da crise.

Em outra conversa, o cunhado afirmou que o banqueiro teria transformado a própria vida em um circo, fazendo críticas ao comportamento emocional do empresário.

As gravações também abordam a preocupação de Zettel com sua exposição e com a necessidade de se afastar dos negócios ligados ao cunhado após o avanço das investigações.

Em um dos relatos, Zettel mencionou ter escondido dinheiro no exterior diante da possibilidade de bloqueio de seus bens. Também afirmou que Vorcaro teria mantido recursos fora do Brasil.

O valor de R$ 20 bilhões foi mencionado em outro áudio, mas essa declaração atribuída a Zettel não representa, por si só, uma confirmação oficial da existência desses recursos.

O STF precisa esclarecer o que aconteceu

O caso levanta uma discussão que ultrapassa a disputa política entre direita e esquerda: a relação entre integrantes do Judiciário, empresários poderosos e interesses financeiros privados.

Ministros do Supremo têm responsabilidades institucionais que exigem transparência e cuidado redobrado em situações envolvendo pessoas cujos interesses podem chegar ao Judiciário.

A pergunta central permanece: por que Fabiano Zettel dizia estar contando com Alexandre de Moraes durante uma crise que envolvia bilhões de reais e decisões de autoridades públicas?

A gravação não responde a essa pergunta. Também não comprova que Moraes tenha atuado para favorecer Vorcaro. Mas torna ainda mais importante que os fatos sejam esclarecidos, com documentação, investigação independente e manifestação dos envolvidos.

Em uma democracia, a autoridade de um ministro não pode depender apenas da confiança que seus aliados ou conhecidos depositam nele. A legitimidade das instituições depende de transparência, imparcialidade e prestação de contas.

O brasileiro tem o direito de saber se as relações privadas entre autoridades e grandes empresários permaneceram dentro dos limites institucionais. E essa resposta não pode depender apenas de declarações genéricas.


Fontes e informações

O conteúdo desta reportagem foi elaborado a partir de informações publicadas pelos veículos citados. As declarações atribuídas aos envolvidos devem ser consideradas no contexto das gravações divulgadas. Não representam, isoladamente, comprovação de responsabilidade criminal.

Te Politizei — Informação, análise e fiscalização do poder.

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