PESQUISA A TRÊS DIAS DA ELEIÇÃO: Lula lidera no 1º turno, mas Flávio aparece numericamente à frente no 2º!
Levantamento Real Time Big Data ouviu 2 mil eleitores entre 26 e 30 de setembro. Lula registra 46% dos votos válidos no cenário estimulado de primeiro turno; na simulação de segundo turno, Flávio Bolsonaro aparece com 51%, contra 49% do petista, resultado dentro da margem de erro.
Jornalista — Registro Profissional 0102501/SP
A três dias da eleição presidencial, uma nova pesquisa do instituto Real Time Big Data mostra uma disputa com diferenças importantes entre os cenários de primeiro e segundo turno. Divulgado nesta quinta-feira (1º), o levantamento coloca Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na liderança do primeiro turno estimulado, mas apresenta Flávio Bolsonaro (PL) numericamente à frente na simulação de segundo turno.
No primeiro turno, considerando os votos válidos, Lula aparece com 46%, enquanto Flávio registra 41%. Já no confronto direto, Flávio marca 51% e Lula, 49%. A diferença de dois pontos está dentro da margem de erro da pesquisa, de modo que os números não permitem afirmar uma vantagem estatisticamente definida nesse cenário. É uma fotografia da disputa no momento da coleta, não uma previsão do resultado das urnas.
Primeiro turno: Lula tem 46% e Flávio, 41%
No cenário estimulado de primeiro turno, em que os nomes dos concorrentes são apresentados aos entrevistados, os votos válidos ficaram distribuídos da seguinte forma:
| Candidato | Votos válidos |
|---|---|
| Lula (PT) | 46% |
| Flávio Bolsonaro (PL) | 41% |
| Renan Santos (Missão) | 5% |
| Augusto Cury (Avante) | 3% |
| Ronaldo Caiado (PSD) | 3% |
| Romeu Zema (Novo) | 1% |
| Outros | 1% |
Os percentuais são de votos válidos, cálculo que exclui brancos, nulos e indecisos. Por isso, não devem ser confundidos com a distribuição de todas as respostas coletadas pelo instituto.
Segundo turno: Flávio tem 51%, contra 49% de Lula
Na simulação de segundo turno entre Lula e Flávio Bolsonaro, o levantamento apresenta:
Simulação de segundo turno — votos válidos. Diferença dentro da margem de erro de 2 pontos percentuais.
Embora Flávio apareça numericamente à frente, a margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos. Assim, o resultado é compatível com um empate técnico. O levantamento não permite afirmar que um dos dois tenha vantagem estatisticamente comprovada nesse confronto.
Outros cenários de segundo turno
O instituto também simulou disputas de Lula contra outros quatro nomes. Nos cenários divulgados, o presidente aparece numericamente à frente:
| Confronto | Resultado |
|---|---|
| Lula x Ronaldo Caiado | 51% x 49% |
| Lula x Romeu Zema | 53% x 47% |
| Lula x Renan Santos | 54% x 46% |
| Lula x Augusto Cury | 51% x 49% |
Os números também são apresentados em votos válidos. A margem de erro deve ser considerada na leitura de cada confronto.
Pesquisa espontânea mostra Lula com 38% e Flávio com 34%
No cenário espontâneo, em que os entrevistados respondem sem receber previamente uma lista de candidatos, Lula aparece com 38%, e Flávio Bolsonaro, com 34%. Augusto Cury e Renan Santos registram 3% cada; Ronaldo Caiado tem 2%. Brancos e nulos somam 8%, enquanto 11% não souberam ou não responderam.
Esse cenário mede a lembrança espontânea dos nomes e não deve ser confundido com a pergunta estimulada, na qual os participantes recebem uma lista de opções.
Metodologia: 2 mil entrevistados e margem de erro de dois pontos
O Real Time Big Data entrevistou 2.000 pessoas entre 26 e 30 de setembro de 2026. A pesquisa foi contratada pelo próprio instituto, tem nível de confiança de 95% e margem de erro de dois pontos percentuais. O registro no Tribunal Superior Eleitoral é BR-09503/2026.
Como todo levantamento, a pesquisa representa uma medição feita em determinado período e está sujeita às limitações do método, da amostra e da formulação das perguntas. O resultado oficial será definido pela apuração dos votos, não pelos percentuais divulgados antes da votação.
EDITORIAL | O eleitor decide; pesquisa não é sentença
Às vésperas de uma eleição, números ganham manchetes, campanhas e redes sociais. Mas pesquisa não substitui o voto, não determina o resultado e não deve ser usada para pressionar o eleitor. Seu papel é oferecer informação sobre o cenário medido pelo instituto, com metodologia e limitações expostas.
Uma leitura responsável exige atenção a três pontos: a diferença entre votos válidos e total de respostas, a margem de erro e a data em que as entrevistas foram realizadas. Ignorar esses elementos transforma uma ferramenta de informação em argumento de campanha.
O debate público também precisa ir além dos percentuais. Em uma perspectiva de responsabilidade institucional, o eleitor deve poder comparar propostas, histórico de gestão, compromisso com as contas públicas, respeito às liberdades e limites constitucionais do poder. Nenhum número de pesquisa dispensa essa avaliação individual.
O voto é uma decisão soberana de cada cidadão. Cabe à imprensa apresentar os dados com precisão, separar medição de previsão e cobrar transparência dos institutos e dos candidatos. A escolha pertence ao eleitor — e não a uma manchete, a uma campanha ou a uma pesquisa.
O que observar até a votação
- O período de coleta: as entrevistas foram realizadas de 26 a 30 de setembro;
- A diferença entre os cenários espontâneo e estimulado;
- O uso de votos válidos nas tabelas divulgadas;
- A margem de erro de dois pontos percentuais;
- O registro do levantamento no TSE: BR-09503/2026.
Fonte
Gazeta do Povo — levantamento Real Time Big Data divulgado em 1º de outubro de 2026. Metodologia, cenários e percentuais reproduzidos conforme a publicação consultada.
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